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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pensamentos e anseios de um guru

"Parece extremamente improvável que a humanidade, de um modo geral, algum dia seja capaz de passar sem paraísos artificiais. A maioria dos homens e mulheres leva uam vida tão sofredora em seus pontos baixos e tão monótona em suas eminências, tão pobre e limitada, que os desejos de fuga, os anseios para superar-se, ainda por uns breves momentos, estão e tem estado sempre entre os principais apetites da alma."
Aldous Huxley

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O Grito (por Aline)


Vemos ao fundo da pintura um céu de (cores quentes), em oposição ao rio em azul (cor fria) que sobe acima do horizonte, característica do expressionismo (onde o que interessa para o artista é a expressão de suas ideias e não um retrato da realidade). Vemos que a figura humana também está em cores frias, azul, como a cor da angústia e da dor, sem cabelo para demonstrar um estado de saúde precário.
Os elementos descritos estão tortos, como se reproduzindo o grito dado pela figura, como se entortando com o berro, algo que reproduza as ondas sonoras. Quase tudo está torto, menos a ponte e as duas figuras que estão no canto esquerdo. Tudo que se abalou com o grito e com a cena presenciada está torto, quem não se abalou (as pessoas) e a ponte, que é de concreto e não é "natural" como os outros elementos, continua reto.
A dor do grito está presente não só no personagem, mas também no fundo, o que destaca que a vida para quem sofre não é como as outras pessoas a enxergam, é dolorosa também, a paisagem fica dolorosa e talvez por essa característica do quadro é que nos identificamos tanto com ele e podemos sentir a dor e o grito dado pelo personagem. Nos introjetamos no quadro e passamos a ver o mundo torto, disforme e isso nos afeta diretamente e participamos quase interativamente da obra.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

CRUZ E SOUSA (por Aline)

Tédio

Vala comum de corpos que apodrecem,
Esverdeada gangrena
Cobrindo vastidões que fosforescem
Sobre a esfera terrena.

Bocejo torvo de desejos turvos,
Languescente bocejo
De velhos diabos de chavelhos curvos
Rugindo de desejo.

Sangue coalhado, congelado, frio,
Espasmado nas veias...
Pesadelo sinistro de algum rio
De sinistras sereias...

Alma sem rumo, a modorrar de sono,
Mole, túrbida, lassa...
Monotonias lúbricas de um mono
Dançando numa praça...

Mudas epilepsias, mudas, mudas,
Mudas epilepsias,
Masturbações mentais, fundas, agudas,
Negras nevrostenias.

Flores sangrentas do soturno vício
Que as almas queima e morde...
Música estranha de fetal suplício,
Vago, mórbido acorde...

Noite cerrada para o Pensamento
Nebuloso degredo
Onde em cavo clangor surdo do vento
Rouco pragueja o medo.

Plaga vencida por tremendas pragas,
Devorada por pestes,
Esboroada pelas rubras chagas
Dos incêndios celestes.

Sabor de sangue, Lágrimas e terra
Revolvida de fresco,
Guerra sombria dos sentidos, guerra,
Tantalismo dantesco.

Silêncio carregado e fundo e denso
Como um poço secreto,
Dobre pesado, carrilhão imenso
Do segredo inquieto...

Florescência do Mal, hediondo parto
Tenebroso do crime,
Pandemonium feral de ventre farto
Do Nirvana sublime.

Delírio contorcido, convulsivo
De felinas serpentes,
No silamento e no mover lascivo
Das caudas e dos dentes.

Porco lúgubre, lúbrico, trevoso
Do tábido pecado,
Fuçando colossal, formidoloso
Nos lodos do passado.

Ritmos de forças e de graças mortas,
Melancólico exílio,
Difusão de um mistério que abre portas
Para um secreto idílio...

Ócio das almas ou requinte delas,
Quint'essências, velhices
De luas de nevroses amarelas,
Venenosas meiguices.

Insônia morna e doente dos Espaços,
Letargia funérea,
Vermes, abutres a correr pedaços
Da carne deletéria.

Um misto de saudade e de tortura,
De lama, de Ódio e de asco,
Carnaval infernal da Sepultura,
Risada do carrasco.

Ó tédio amargo, ó tédio dos suspiros,
Ó tédio d'ansiedades!
Quanta vez eu não subo nos teus giros
Fundas eternidades!

Quanta vez envolvido do teu luto
Nos sudários profundos
Eu, calado, a tremer, ao longe, escuto
Desmoronarem mundos!

Os teus soluços, todo o grande pranto,
Taciturnos gemidos,
Fazem gerar flores de amargo encanto
Nos corações doridos.

Tédio! que pões nas almas olvidadas
Ondulações de abismo
E sombras vesgas, lívidas, paradas,
No mais feroz mutismo!

Tédio do Réquiem do Universo inteiro,
Morbus negro, nefando,
Sentimento fatal e derradeiro
Das estrelas gelando...

O Tédio! Rei da Morte! Rei boêmio!
Ó Fantasma enfadonho!
És o sol negro, o criador, o gêmeo,
Velho irmão do meu sonho!

domingo, 26 de setembro de 2010

Uma letra, melhor que a música (por Aline)

Tédio
Biquini Cavadão
Composição: Sheik / Miguel / Álvaro / Bruno

Alô!Sabe esses dias
Em que horas dizem nada
E você nem troca o pijama
Preferia estar na cama
Um dia, a monotonia
Tomou conta de mim
É o tédio
Cortando os meus programas
Esperando o meu fim...
(Refrão)
Sentado no meu quarto
O tempo vôa
Lá fora a vida passa
E eu aqui à tôa
Eu já tentei de tudo
Mas não tenho remédio
Prá livrar-me desse tédio...
Vejo o programa
Que não me satisfaz
Leio o jornal que é de ontem
Pois prá mim, tanto faz
Já tive esse problema
Sei que o tédio
É sempre assim
Se tudo piorar
Não sei do que sou capaz...
(Refrão)
Vejo o programa
Que não me satisfaz
Leio o jornal que é de ontem
Pois prá mim, tanto faz
Já tive esse problema
Sei que o tédio
É sempre assim
Se tudo piorar
Não sei do que sou capaz...
(Refrão)
Tédio!
Não tenho um programa
Tédio!
Esse é o meu drama
O que corrói é o tédio
Um dia eu fico cego
Me atiro deste prédio...

Pra quem quiser curtir a música:
http://www.4shared.com/audio/ilzgsCle/Tdio_-_BIQUINI_CAVADO.htm

sábado, 25 de setembro de 2010

"Estranhos no paraíso" do Tédio (por An Persa)

"Estranhos no Paraíso": quando eu assisti esse filme, que apesar de ser em P&B, foi produzido em 1984, me senti diante de uma grande obra filosófica. Depois descobri o motivo. O filme de Jim Jarmusch seria, "uma tradução cinematográfica minimalista de uma das obras capitais do existencialismo francê, O Estrangeiro, de Camus"*

A curiosidade não conseguiu matar a gata, que rápidamente foi em busca do que viria a ser um dos mais fieis amigos seus Camus... Um Deus tão grande!
Passei a assistir a esse filme com olhar totalmente "dirigido", onde, na primeira parte experimentamos junto com Eva o sabor de um mundo novo, os EUA, lugar para o qual a personagem húngara, passa a morar na casa de um primo, desocupado, que há tempos já estava estabelicido em Nova York. Os personagens dão início a uma nova vida, onde devem lidar com as estranhezas que lhes são causadas. Não se dando muito bem, e envenenados pelo tédio, os primos partem para visitar uma tia em Clevelend, com quem Eva passa a morar.
Na segunda parte, os personagens, um ano mais velhos, jogam pôquer entre amigos, quando são pegos tentando trapacear iniciam uma fuga, com direito a roubo de carro em diração ao velho oeste, resgate de moçinha e tudo mais. Na última parte, chegamos ao paraíso... quando os três personagens partem em uma aventura, imprevisível, que os levam à Florida.
Temos um perfeito "road-movie às avessas"*, com personagens entediados, incapazes de serem transformados pelas experiencias vividas, perfis que se deixam levar pelas circunstâncias, tendo em si apenas a indiferença.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Meu Tédio (por Aline)


O tédio é o estado de espírito que mais me acompanha. E como ele caminha muito junto comigo, prefiro assumi-lo como uma forma de sentir, não como a ausência de algo.
Segundo Heidegger, esse mal que sofro não é só meu, é de toda a minha geração, mas a minoria o nota.
Ainda de acordo com Heidegger há 2 tipos de tédio. O primeiro é o superficial, quando algo o entedia, um livro, um filme, uma conversa, alguém... E o meu tédio, que seria mais profundo, sem causa, mas que tem uma capacidade monstruosa de encher o pensamento de névoa.
Meu tédio é um sentimento de vazio, de perda da importância, de peso em viver, do arrastar do tempo e do amolecimento das formas.
Não gosto do tédio, mas admito que quando estou nublada me reconheço e compreendo mais. Quando as nuvens passam tenho um sentimento de maior aceitação, de reavaliação de meus valores, de novas visões de mundo, de um renascimento de mim, do surgimento de uma nova existência.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Séra que existir é viver? (por Priscila)


Quase todos os dias me olho, a procura de mim para ver se encontro nem que seja uma pequena fração de mim mesma. Mas eu estou ali aprisionada dentro de um casulo. Aprisionamento do falar e do expressar, mas nunca do pensar. Ajustando- me a sociedade, selva civilizada. E por isso me mato um pouco todos os dias, deixando de viver e sobrevivendo.
Sobrevivendo é isto que sinto que faço quando que calo me omito, deixando de falar o que penso. Expressão de pensamentos e de princípios que parece um crime. Só é possível se expressar moldando- se, uniformizando marchando como soldados. Situação que me angustia, me sinto telespectadora da minha vida assistindo ela passar, esperando pelo momento mais emocionante, que nunca chega e sempre fica para o amanhã, em eterno stand-by. Hoje é só por ele que vivemos, não da para basear-se no amanhã, pois não sei se ele virá.
Tudo isso inquieta meu pensar, não sei que é pior o desassossego existencial que consume e devora ou a possibilidade da resignação. Aceitando que algumas "coisas" são como são.
Sobrevivo não vivo, vou existindo vendo a vida passar como a sua natureza fugaz.