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sábado, 14 de setembro de 2013

Invocação do mal / sexta feira assustadoramente 13 (por: An Persa)


Uma pena ter sido dublado


Desde os anos de 1950, o casal americano Lorraine e Ed Warren investiga os mais assombrosos casos paranormais, fundaram um centro de pesquisa, escreveram uma série de livros e ainda instalaram um museu de artefatos amaldiçoados no quintal de sua casa, em Connecticut.
Ed morreu em 2006, mas Lorraine está ainda na ativa, fazendo participações especiais em programas de TV.
O casal soma mais de 10 mil casos solucionados, muitos dos quais, os próprios, provaram serem fraudes, incluindo aí a delirante história de Amytiville, que mais tarde (1979) viraria uma franquia para o cinema, com refilmagem em 2005. "Invocação do mal", é o primeiro roteiro a sair da gama de historias que envolve o casal Warren.

Assisti esse filme na adorável sexta feira 13 (setembro/2013), pensei que fosse passar por divertidos momentos de suspense, com alguns gritinhos de susto, como é de tradição, mas eu fiquei realmente emocionada com o filme, que somou, uma boa historia de terror, excelentes interpretações, e uma direção bastante criativa, que foi capaz de contar a historia de modo a deixar o espectador um tanto, flutuando no tempo até que possa se localizar no momento em que a vida dos personagens se encontram.

No filme o casal Warren foi interpretado, com muita verdade, por Vera Farmiga (Lorraine) e Patrick Wilson (Ed), que partem para ajudar Carolyn (personagem da brilhante atriz Lili Taylor) e Roger Perron (Ron Livingston) e suas quatro filhas, pois A família começa a vivenciar casos inexplicáveis ao se mudar para um casarão do século 19, em Rhode Island. 

Além do mau cheiro que vaga pela casa, a filha mais nova ganha um "amiguinho imaginário", enquanto sua irmã (da mesma faixa de idade) vaga sonâmbula pela madrugada. Marcas aparecem no corpo da mãe das crianças, e sua filha pré adolescente se desespera com um vulto que ninguém nota. Tudo acontece sempre a mesma hora 3:07 da madrugada, quando todos os relógios da casa param e ruídos e batidas apavorantes deixam a familia inquieta. 

James Wan, o diretor, assina também por "Jogos mortais" (o meu suspense favorito) e "Sobrenatural". Agora sim, entendo o motivo de ter ficado tão tensa e inquieta com esse filme. James tem um grande talento pro terror, carrega seus filmes de um clima noir poderoso, de modo Hitchcockiano retira proveito do som, da luz, para aumentar o suspense das cenas, reconstruindo a realidade fantastica que esperamos de um filme de terror.

O roteiro dos irmãos Chad e Carey Hayes (de "Colheita do mal"), é uma meia verdade. Soube que o casal  Ed e Lorraine, na realidade, foram expulsos da casa antes do desfecho. O que, pra mim, imaginar o filme com o final da historia verdadeira, teria sido ainda mais inquietante por deixar o espectador ainda submerso nessa realidade assustadora. O final que vemos no filme, nos faz retornar para a realidade tranquila junto com os personagens. 

A produção é considerada um sucesso e vai (graças a Deus) virar franquia (com uma sequência já anunciada), pois, o que não falta para Lorraine são histórias para contar, incluindo a da medonha Annabelle, a boneca demoníaca que tem participação especial (e inesquecível) neste filme. 

Bem, não vejo a hora de assistir nos cinemas  mais uma historia do casal Warren, e espero que o meu namorado não sofra tanto nos próximos filmes, pois o que mais fiz, foi aliviar a tensão apertando a mãos e braços dele, e dando cabeçadas em seu peito pra esconder o rosto.
Não, meus movimentos não foram friamente calculados.
E, pra você que vai assistir, caso haja alguma doida gritando a cada troca de cena, no cinema, pode ser eu.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

orange juice? mechanics orange! (por: An Persa)

Laranja Mecânica





Mesmo com toda apologia á violência, esse filme é um dos meus favoritos. Mais uma vez recorro ao mestre Godard, que disse, “a arte pode transfigurar a vida mas não pode criá-lá”. Está, então, justificado o conteúdo aparentemente violento do filme, que não deve ser visto com olhar moralista... É um filme provocativo, e como boa obra de arte, trabalha com o inesperado. A questão arte e sociedade deve ser considerada, claro, mas não com olhar superficialmente focado no cru, porque este filme é um biscouto fino!
Gosto de pensá-lo como uma reflexão das vanguardas da arte e, porque não, da política! Toda a tentativa de levar a arte ao cotidiano sofre resistências de todos os lados... essas buscas utópicas por transformações culturais e sociais através da arte, estão intimamente ligados a violência. A cada vez que chegamos aos limites das experiencias artísticas, seja qual for a natureza, estamos trabalhando também nos limites da violência...
Os modelos são inúmeros... Martin luther King e Jesus Cristo ou Malcom X e Moisés. O olho por olho, a arma na mão, a diplomacia e o amor, tudo é violento. O livro e o filme são violentos porque percorrem as artes e a política, e desse modo, não poderia fazê-lo de outro modo que não fosse externando o caos pessoal dos personagens, que controlam e são controlados.
No último capitulo do livro no qual o filme se baseia, há uma reconciliação entre Alex e a sociedade contra qual ele se revoltou... o filme, não mostra isso, o homem é convertido à técnica e já não tem poder de escolha. É justamente contra essa condição robótica, que Alex se revolta. Ele quer defender o homem do processo violento de civilização e ao mesmo tempo, é a personificação da arte.

O filme é dividido em três atos, no primeiro Alex (como Deus da arte) passeia por entre as artes: teatro, dança, música, artes plásticas... e ao fazê-lo os transforma violentamente, através da própria vida, porque vive uma eterna performance. Alex controla, ele dita, por isso espanca um velho logo na primeira cena, é seu aviso de que pretende romper com as tradições. A última cena do primeiro ato, é a morte de uma colecionadora de arte, que reafirma a vontade de transgredir de Alex que possuía o controle de si e fazia outros reféns...
No segundo ato, Alex é pego pela sociedade de controle para controlar seus atos de violência, para isso ele é violentado.
O último ato Alex está sem controle de si, anda agora controlado, mas percebe que não poderá viver sem violência em uma sociedade violenta.

jus d'orange?

(mécanique)


Primeiro:
Nos colocando no lugar (palco) de Alex, vemos que o personagem em si não é violento de modo cru, ele age com violência performática, sua violência é a arte do seu tempo. Por isso ele espanca o velho, ele espanca a tradição, o atraso social.
Na cena do estupro no teatro, Alex interrompe o estupro como um diretor faria, e a cena mostra o ato como uma dança desconexa. Ele não diz que estuprar é errado, e sim que estuprar com roupas e emblemas nazistas é cafona. A forma como o estupro foi feito é que foi mais “estuprante”... A dança aparece mais uma vez, na briga de Alex e Billy Boy, dança contemporânea.
Ao desconstruir a música “cantando na chuva” Alex mostra o que é “amor” em sua fisicalidade (ainda que isso parece subjetivo, mas vamos viajar na idéia...), e a dança e o teatro se unem, como num musical.
A música “Ode a Alegria” é uma constante... ressaltando o sentido filosófico de arte perfeita. Esse olhar filosófico sobre a “sacralidade” da música é sublinhado por Alex durante a cena da saideira na leiteria, quando uma mulher canta Ode a Alegria e um dos seus parceiros faz piadas, Alex fica irritado porque compreende o sentindo intimo de obra de arte que é capaz de transformar.
Os amigos de Alex, não o compreendem. Um exemplo é a cena em que Alex dá uma paulada em um dos seus amigos, Alex quer performance, não quer tirar proveito algum, quer ter o prazer que um criador tem em criar.
No contexto do filme, a mulher que Alex mata com um pênis gigante, é quem possui a violência nas mãos, por ser burguesa e chamá-lo de miserável, por pretender ditar o que é arte. Como personificação da arte, Alex descarta os princípios tradicionais ao matar a personificação de um ditador de moda.

Segundo:
Alex e as instancias da lei.
1.A delegacia inglesa que tortura com lei radical
2.A prisão, que põe Alex nu e o chama por um número assim como nos campos de concentração
3.O Centro: animaliza Alex, que é domado com tratamento cinematográfico, mostrando a violência que é estar em uma sala escura, olhando para uma grande tela, ouvindo um som alto e estando limitado a uma cadeira, devendo silencio. Põe o cinema como a arte mais violenta.

Último ato:
Quando Alex toma consciência de que não é possível viver sem controle. Reencontra pessoas que se vingam, encontra os amigos (antes “criminosos”) nesse momento são policiais (mostra que não há diferença entre o crime e a lei)
Alex nos mostra que não se pode viver sem violência em um mundo violento. Temos aprova de que Alex era mesmo um artista de seu tempo, a única possibilidade de arte de vanguarda, porque vivia inteiramente a arte do seu tempo.
Quando Alex é levado ao centro, é como se uma obra de arte feita para ser manuseada, fosse entregue ao museu, encontra-se com suas funções originais subtraídas de si.
A cena final, onde ele pensa estar transando para uma platéia que o aplaude, garante mais uma vez sua condição de ser a personificação da arte, por elevar a luxúria do seu tempo ao statos de arte.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

E o Kikito vai para ... (por Aline)


Do dia 5 a 13 de agosto aconteceu na cidade de Gramado, o 39º  Festival de Gramado. Abaixo a lista com os vencedores:

NACIONAL


Melhor Filme: Uma Longa Viagem, de Lucia Murat
Melhor Montagem: Leonardo Sette, As Hiper Mulheres.
Melhor Fotografia: Roberto Henkin, O Carteiro.
Melhor Roteiro: Gustavo Pizzi e Karine Teles, Riscado.
Melhor Atriz: Karine Teles, Riscado.
Melhor Ator: Caio Blat, Uma Longa Viagem.
Melhor Diretor: Gustavo Pizzi, Riscado.
Prêmio Especial do Júri: As Hiper Mulheres, Leonardo Sette, Carlos Fausto e Takumã Kuikuro.

INTERNACIONAL

Melhor Filme: Medianeiras, de Gustavo Taretto.
Melhor Fotografia: Serguei Saldivar Tanaka, La lección de Pintura.
Melhor Roteiro: Sebastián Hiriart, A Tiro de Piedra.
Melhor Atriz: Margarida Rosa de Francisco, García.
Melhor Ator: Gabino Rodríguez, A Tiro de Piedra.
Melhor Diretor: Gustavo Taretto, Medianeiras, e Sebastián Hiriart, A Tiro de Piedra.
Prêmio Especial do Júri: Las Malas Intenciones, Rosario Garcia-Montero.

sábado, 28 de maio de 2011

Historia da filosofia em 40 filmes e mais 40 filmes (por An Persa)

De 16 de maio de 2009 a 28 de fevereiro de 2010, no caixa cultural, rolou um curso livre e grátis que através de 40 filmes fazia um apanhado da historia da filosofia. Eu fui rigorosamente em todos os sábados e assistir a todos os 40 filmes e suas palestras.

Interessante foi ver, os 388 lugares do cinema ocupados em todas as sessões de sábados frios de chuva fina, e de sábados quentes de verão e praia. Fosse como fosse estávamos lá, uma grande turma de desconhecidos que se reunião nos sábados religiosamente às 10 horas da manhã, tudo por um amor em comum, o cinema e a filosofia. Fiz amigos, vez por outra os encontro nos cinemas. Eu os vejo, e é certo, lembro-me desse ano tão especial.

Bom, fico feliz em contar que vamos nos reunir mais uma vez, por mais 40 sábados iremos a nossa, sempre santa, mesmo que e por vezes diabólica, igreja. A mostra-curso segue por nove meses, sempre aos sábados, discutindo os dez temas filosóficos escolhidos pelos curadores-palestrantes Alexandre Costa e Patrick Pessoa para esta segunda edição.

Começou no sábado passado, 21 de maio de 2011, o curso livre de Historia da filosofia em mais 40 filmes. E até dia 24 de março de 2012, no teatro Nelson Rodrigues, av. Chile, 230, próximo ao Metrô da Carioca, os filmes começam às 10h e 30min. Ao final da exibição de cada filme, Alexandre Costa e Patrick Pessoa, alternadamente, proferem uma palestra, ao final da qual abrem espaço para o debate com o público.

O novo curso, assim como a edição anterior, irá por em pauta temas filosóficos fundamentais, e vamos porder assistir diálogos de cineastas como Bergman, Bertolucci, Hitchcock, Fassbinder, Scola, Resnais, Saura, Fellini, Ozu, Kubrick, Cassavetes, Hirszman e Godard, com importantes pensadores, entre eles Platão, Descartes, Kant, Marx, Nietzsche, Benjamin, Heidegger, Sartre e Foucault. A entrada é franca e a programação riquíssíma, cheia de filmes que dão vontade de fumar, mesmo que você não saiba tragar.

Os novos módulos temáticos são: “O perspectivismo”, “A (Má) Educação”, “O Estrangeiro”, “O Conformista”, ”A Técnica”, “A Arte”, “A Guerra”, “O Velho Oeste”, “O Brasil” e “O Amor”. Vamos então refletir sobre diferentes disciplinas filosóficas, tais como a metafísica, a epistemologia, a ética, a política e a estética.


Abrindo a mostra temos a reflexão sobre “O Perspectivismo” que parte de um fragmento de Nitzsche que põe em xeque tanto a crença em uma realidade objetiva existente em si mesma, quanto a crença em uma subjetividade transcendental comum a todos os homens. Os quatro filmes que integram este módulo permitem compreender o alcance ético, estético e ontológico do conceito de perspectivismo, central para todos os desdobramentos da Filosofia Contemporânea. As palestras mostrarão como Cidadão Kane do Orson Welles  (21/05) problematiza a existência de uma realidade/identidade dada em si mesma, para além das múltiplas possibilidades de interpretá-la; como Gritos e sussurros do Bergman (28/05) e O crepúsculo dos deuses de Billy Wilder (4/06) apresentam distintos modos de compreender e lidar com a morte ou com a fragilidade dos projetos humanos; e como Psicose de Hitchcock (11/06) relativiza qualquer delimitação rígida entre o normal e o patológico.

Me ocorreu a possibilidade de postar as minhas "anotações de aula" no blog.
Bom, confesso que ando desorganizada, mas prometo fazer isso a partir de semana que vem (4/jun) com o filme Crepúsculo dos Deuses de Billy Wilder. 

Confira a programação completa do curso:

ou
(o caixa cultural, além do curso, oferece outras programações de cinema muito boas como "Além das fronteiras: o cinema Suíço"; "20x Pornochanchada"; "Andy Warhol 16 mm" e "El deseo - O apaixonante cinema de Pedro Almodóvar").

E desde já convido minhas amigas do Striptease do pensamento pra uma sessão filme-palestra seguida de chopp na Lapa ou Feira do Lavradio, temos que tentar tirar do papel os planos de nos encontrar. 

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Chaplin (por An Persa)

Pensamos de Mais e Sentimos de Menos

Queremos todos ajudar-nos uns aos outros. Os seres humanos são assim. Queremos viver a felicidade dos outros e não a sua infelicidade. Não queremos odiar nem desprezar ninguém. Neste mundo há lugar para toda a gente. E a boa terra é rica e pode prover às necessidades de todos.

O caminho da vida pode ser livre e belo, mas desviámo-nos do caminho. A cupidez envenenou a alma humana, ergueu no mundo barreiras de ódio, fez-nos marchar a passo de ganso para a desgraça e a carnificina. Descobrimos a velocidade, mas prendemo-nos demasiado a ela. A máquina que produz a abundância empobreceu-nos. A nossa ciência tornou-nos cínicos; a nossa inteligência, cruéis e impiedosos. Pensamos de mais e sentimos de menos. Precisamos mais de humanidade que de máquinas. Se temos necessidade de inteligência, temos ainda mais necessidade de bondade e doçura. Sem estas qualidades, a vida será violenta e tudo estará perdido.

O avião e a rádio aproximaram-nos. A própria natureza destes inventos é um apelo à fraternidade universal, à união de todos. Neste momento, a minha voz alcança milhões de pessoas através do mundo, milhões de homens sem esperança, de mulheres, de crianças, vítimas dum sistema que leva os homens a torturar e a prender pessoas inocentes. Àqueles que podem ouvir-me, digo: Não desesperem. A desgraça que nos oprime não provém senão da cupidez, do azedume dos homens que têm receio de ver a humanidade progredir. O ódio dos homens há-de passar, e os ditadores morrem, e o poder que tiraram ao povo, o povo retomá-lo-à. Enquanto os homens morrerem, a liberdade não perecerá.

Charles Chaplin, 'Discurso final de «O Grande Ditador»'


Sem dúvida, uma das passagens mais bonitas do cinema!!!
Pra mim, esse cara de bigodinho e roupa fuleira foi o maior de todos os tempos...

Dono do olhar mais emocionante do cinema!! Que o diga o filme "Luzes da cidade"!

A fórmula Chaplin se reproduziu por ai, em forma de Chaves (que sem querer querendo, me emociona e faz rir na medida certa) e Didi mocó sonrisal, colestero e etc e etc... ( que cá entre nós, que bom que acabou, ou quase...), fora os Robertos Benignis...

Em todo caso, nenhum desses foi tão... TÃO, Chaplin quanto o Carlitos! Que faria 122 anos dia 16 de Abril.

Não me lembrei desta data sozinha, o google me ajudou, quando trocou seu logotipo por um vídeo para celebrar o aniversário de Chaplin.



De todo modo, meu cinema não poderia ficar sem Chaplin

terça-feira, 22 de março de 2011

Godard e a ficção como documento parte III (por An Persa)

Tornando a questão mais clara e menos filosófica:


Usaremos dois filmes hollywoodianos clássicos. O primeiro é E.T. de Steven Spielberg. Excluindo-se a questão de um governo que persegue até o que não é uma ameaça, temos no final do filme uma tensão entre crianças e polícia. Quando as crianças fogem de bicicleta com o E.T. a polícia arma uma barricada para esperar por eles, com armamento pesado na mão.

O mundo, então, saído do pós guerra convivia com a violência em uma escala global, o filme se torna o registro, o documento de uma cultura, de um pensamento. Seria então, um tempo anterior a “Tiros em Columbine”.



Quando E.T. foi relançado nos cinemas em comemoração aos seus 20 anos, as armas deram lugar a comunicadores. A associação entre polícia, armamentos e crianças foi desfeita devido à mudança de valores, bem explorada em Elephant, de Gus Van Sant.

O outro exemplo é King Kong, morto fuzilado no original de 1933 e na sua refilmagem em 1976 quando o roteiro foi adaptado e trazido para a década de 70. A morte violenta de Kong é acentuada, já que no original preto e branco o sangue não pareceria tão real.
Na versão de Peter Jackson feita em 2005, Kong é humanizado e colocado como um herói entre os dinossauros sobreviventes na ilha. Ao equipará-lo ao “humano” e diferenciá-lo do “passado perdido” Jackson faz um registro da mudança de pensamento ecológico nesses 20 anos. No final Kong não escapa dos tiros, mas devemos lembrar que o diretor não trouxe Kong para 2005, mantendo a ação em 1933, justificando a ideia de ameaça sem criar conflitos na lógica do filme.
 
Falar de King Komg me fez lembrar ainda de outro filme, Jurassic Park, em que Spielberg em momento algo usa armas contra os dinossauros e sim dardos tranqüilizantes. As mortes, então, ocorrem somente através da ação do instinto dos animais.
 

Vemos, assim, que cada filme, em seu tempo possui no decorrer da sua película o pensamento de um grupo.

Fica então a pergunta, se Godard pensasse em fazer um projeto semelhante hoje, o que ele escolheria como símbolo da documentação?

Ao meu ver ele escolheria a própria realidade, sendo o Big Boss em um big brother cinema, tal qual ele mostrou em Film socialism, praticamente sem roteiro, ou atores profissionais, e como sempre repleto de citações, desta vez reproduções feitas pelo próprio diretor.

Sim, penso que mais uma vez ele brincou com a tensão entre realidade e ficção, desta vez de um modo ainda mais acentuado, o que é bem lógico, frente a lógica filmografia do diretor.


Para Baixar:


Gus Van Sant transforma em filme o Massacre de Columbine, ocorrido em 1999, o diretor não quer descobrir o motivo disto ter ocorrido, ele apresenta argumentos.
O filme tem ritimo lento, mas funciona bem para nos fazer entender as idéias do diretor.

Godard e a Ficção como documento parte II (Por An Persa)

No filme, Godard propõe o rompimento das fronteiras entre documentário e ficção ao se apresentar como autor e personagem.

Quando o personagem aparece em cenas com uma máquina de datilografar, o diretor registra um equipamento destinado à extinção.

Outra cena tipicamente godariana, mais uma vez transforma os personagens em material de arquivo: quando o diretor mistura o som das teclas da máquina de escrever do personagem com imagens de soldados atirando, (a palavra é arma do diretor e do personagem), duas tecnologias de ponta que virariam peças de museu (armas e máquina de escrever... e de uma certa forma, a palavra também).

Vemos então imagens de arquivo, com registros de soldados na guerra, uma guerra real com armas reais que, assim como a "interpretação" de um objeto personagem, a máquina de escrever, essencial nos anos 80.


 
Para baixar:

Neste site você encontra não só todos os epsódios do filmes Histórias do cinema, assim como outras obras importantes do diretor e links para baixar filmes de outros diretores.  


Godard e a Ficção como documento: parte I (por An Persa)

Em uma das diversas mostras de cinema realizadas pelo caixa cultural do Rio de Janeiro, pude assistir ao brilhante História(s) do Cinema, do Godard, uma das muitas obras primas do diretor, depois de muito procurar finalmente encontrei o filme para baixar e finalmente pude assisti-lo com a devida atenção que todo filme Godariano requer.

Nele, o diretor realiza aos baldes, coisa que costuma fazer nos seus filmes, citações. Godard captura cenas de filmes, imagens de obras de arte, frases e poesias, e reorganiza os trechos com a seu critério, ou seja, em uma ordem aparentemente subjetiva.

As citações comuns aos filmes do Godard, nos levam a uma reflexão a partir da transformação do “arquivo histórico” em personagem. Neste filme, assim como em Zelig do Woody Allen essa transformação é potencializada, cada obra com fins diferentes, mas que nos levam a mesma análise. A manutenção da vitalidade do arquivo, transformando-o em personagem, assim como o movimento de transformação do personagem propriamente dito em arquivo.

Em outras palavras, falamos da questão que é imediatamente levantada quando assistimos ao precioso curta “O inspetor” do brasileiro Arthur Omar: as fronteiras entre a ficção e documentário.


A teoria de que o indivíduo não consegue ser ele mesmo diante da observação do outro, tornaria a idéia de documentário algo impuro, uma vez que o olhar se transforma em câmeras e equipes. Essa idéia se vulgarizou muito rapidamente com os reality shows.

Se pegarmos como documento o registro de um fato sem uma interpretação, a teoria faz sentido. Analisando, porém, a visão do diretor como uma interpretação de um roteiro, a questão perde o foco. Woody Allen fez isso brilhantemente por duas vezes, em Take de Money and run de 1969 e em Zelig de 1983. Em ambos os filmes Allen explora a flexibilização do espaço narrativo e documental chegando próximo ao documentário-comédia. Michael Moore também caminhou nesse campo em Fahrenheit 9/11.

O interessante é que essa fronteira pré-determinada pode ser rompida tanto de um lado quanto de outro, e a ficção absoluta pode ser pega como uma verdadeira obra documental.
 
 
Para baixar:
 
Infelismente só tenho um dos filmes citados, mas vale muito a pena!
 
Take de Money and run:
 
 
 

domingo, 23 de janeiro de 2011

Eu nasci pra ver os filmes do Godard (por An Persa)


 
Ontem a noite, como sempre sem sono, tive a brilhante idéia de ver o filme “Jogos mortais VI” que baixei essa semana. O filme tem uma hora e meia de duração, mas a sensação que tive foi que o filme durou no máximo meia hora.

Nesses psicológicos trinta minutos que o filme durou, percebi que só fiquei de olho aberto por mais ou menos doze minutos, então conclui que fiz um ótimo negócio ao baixar o filme, se fosse assisti-lo no cinema ia jogar grana fora.

Primeiro que definitivamente o filme só tem meia hora, no máximo quarenta minutos contando com os trailers, segundo que eu não veria o filme já que de certo estaria escondendo minha cara no ombro do primeiro idiota que se encontrasse sentado ao meu lado! Sem mencionar o mico de dar gritinhos no cinema que com certeza estaria cheio.
 (Sei bem como é isso, eu faço parte da turma do meião, sou a garota que grita nos filmes de terror, que dá suspiros nos filmes de amor, e que faz SHIIII quando as luzes apagam e aplaude no final do filme cult mesmo quando nem mesmo os meus amigos aderem a manifestação!)
  
Ao longo das cenas mais heavy metal do filme eu só conseguia repetir o mantra “eu nasci pra ver os filmes do Godard”, pra tirar minha tensão, no meio do filme comecei a pensar em variáveis tipo:

“eu gosto de violência conceitual estilo Laranja mecânica”, ou “eu gosto de morte como a do Belmondo em Acossado” ou ainda “porque não filmaram as mortes como o Woody Allen?”... escrevendo agora pensei em mais uma frase boa: “só assisto as mortes do Marlon Brando!” até morrendo ele sabe ser sexy!

Me recordo agora que quando a adrenalina chegou no seu ápice eu repeti naturalmente uma frase que sempre cantava mentalmente quando era criança e assistia aos filmes do Chuck: “é tudo catchup!”

Na boa, o filme é super bacana, adorei cada minuto em que fiquei com a cara escondia na almofada do sofá!
Sem fazer muito esforço podemos encontrar um Q de violência conceitual no filme. Desde o primeiro Jogos Mortais eu gostei da idéia de se fazer um reality de um só voyeur onde os participantes levam como premio a própria vida, nada melhor! Parece coisa de Junior Kyle, mas dá certo!
 
Jr. Kyle

Devo confessar que apesar da idade já me fazer dobrar as costas ainda não cresci o bastante para ver esse tipo de filme e depois ir dormir sem se cobrir até a cabeça, mesmo com esse calor!

É massa quando um filme consegue nos levar de volta a um lugar comum, era comum sentir medo de filmes de terror quando criança, era ordinário, agora, é extraordinário, e é isso que Jogos Mortais foram, ao meu ver todos eles foram extraordinários! (claro que não é medo, é tensão, mas valeu!)

Por fim fica a ironia, no mesmo dia em que baixei Jogos Mortais VI (dirigido por Kevin Greutert), baixei Viver a Vida do Godard, nada melhor ver o segundo depois do primeiro, não?

Pra quem quiser seguir a experiência, ai está os links dos filmes pra baixar


Jogos mortais VI

Sinopse: Um grupo de sobreviventes do assassino serial Jigsaw (Tobin Bell) vai buscar ajuda com o último sobrevivente, Bobby Daggen (Sean Patrcik Flanery), sem saber que ele esconde terríveis segredos que podem desencadear uma nova onda de terror.

Ficha técnica:

Título Original: Jogos Mortais: O Final
Tamanho: 349 MB
Gênero: Terror
Formato: RMVB
Qualidade: DVDRip
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Ano de Lançamento: 2010
Servidor: HotFile



Viver a Vida (Jean Luc Godard, 1962)

Sinopse: Nana é uma jovem que abandona o seu marido e o seu filho para iniciar sua carreira como atriz. Para fi- nanciar sua nova vida começa a trabalhar numa loja de discos, mas não ganha muito dinheiro. Como não consegue pagar o aluguel, é expulsa de casa e decide virar prosti- tuta. No primeiro dia que começa a trabalhar na rua, re- encontra Yvette, uma velha amiga que lhe confessa que também se prostitui por necessidade. Yvette lhe apresen- ta a Raoul, que se converte em seu catetão. A partir des- se momento, Nana irá introduzindo-se progressivamente no mundo da prostituição.



Ficha técnica

Direção: Jean-Luc Godard
Roteiro: Jean-Luc Godard
Título Original: Vivre sa Vie
Origem: França
Duração: 80 min
Idioma: Francês
Legendas: Português
Formato: rmvb
Tamanho: 272 MB
Servidor: Megaupload

Link: http://www.megaupload.com/?d=RTLI5ML6

domingo, 9 de janeiro de 2011

Hannah e suas irmãs - 1986 (por An Persa)

Uma das obras de arte feitas por Woody Allen nos anos 80.
O filme apresenta sucessões de sutis citações as artes visuais, literatura e musica clássica, esta última se apresenta como um dos pontos altos do filme. W.A. Casa musica e cena, a musica atua como ponte que faz passar a ser cômica uma cena que se iniciou romântica.
A música ao mesmo tempo em que está casada com a cena, entra em cena, é mais que uma composição desta, é quase um personagem.

Outro “personagem” que me conquistou foi a própria cidade de Nova York, e sua arquitetura que foi apresentada como obra de arte a céu aberto, e mais uma vez temos a arte atuando como personagem quando a arquitetura, assim como a música, entra em cena e algumas vezes (no caso das esculturas espalhadas pela cidade) atuavam como uma extensão do pensamento ou do sentimento do personagem.

Nas cenas externas muitas vezes é possível ver pontos vermelhos compondo um cenário frio e pálido. São pontos vermelhos que ora são vibrantes ora são opacos; ora estão nítidos no quadro e ora estão se escondendo de nós. Esses pontos de luz são tão insistentes nas cenas e, sobretudo, nas externas, que parecem elementos postos intencionalmente.
São em quadros fixos focalizando um forte fundo vermelho, que por duas (maravilhosas) vezes, logo no inicio do filme, os atores entram em cena.

 
A Hannah de Mia Farrow:
A atriz rouba a cena, mais do que “Rosa purpura do cairo”, “Hannah e suas irmãs” é o seu filme. Não imagino outra atriz no lugar de Farrow. A personagem Hannah exigiu a fragilidade e delicadeza física da Mia Ferrow, e a doçura da sua voz em contraste com a força interior que a atriz só poderia impor através do olhar. Assim vemos a composição da personagem mais dominadora e centralizadora, um personagem verdadeiramente violento, que Mia Farrow encarnou de modo único, qualquer outra forma de compor Hannah teria sido exageradamente caricata.


As faces de W.A.

Os maridos das três irmãs, o sedutor Eliot, o artista sabichão Frederick (o meu favorito) e o hipocondríaco Mickey são, ao meu ver, três possibilidades de Woody Allen. Mas essas constantes especulações de qual personagem é o W.A. do filme me faz buscar um referencial Alleano em todos os filmes do diretor.


*(confesso que como todos sempre tenho a sensação de ver um Woody em cena, mesmo quando não temos Woody atuando, mas não consegui ver isso em “O sonho de cassandra”, e muitos também não viram. Soube que nas gravações W.A. deu uma de Kubrick e pegou no pé dos atores principais do filme, e muitas vezes fez interferências nas atuações, em entrevista os atores disseram que Allen nunca deixou claro as intenções dele apenas dizia “façam de modo diferente”, e que até o momento eles se perguntavam “o que Allen queria?” acho que essa é a pergunta errada, a questão é “quer que eu o imite W.A.?” de preferencia, faça isso gaguejando!)



Algumas outras questões do filme

A busca por deus e pelo sentido da vida que o personagem de Woody Allen faz no decorrer de “Hannah e suas irmãs” é o ponto alto da comédia do filme, e ao mesmo tempo muito existencialista.


Quando o judeu Allen tenta virar budista depois da falha tentativa aceitar Cristo como o messias
E o questionamento sobre o direito que o artista possui, e se ele possui direitos, de usar como inspiração as histórias de pessoas próximas, quando Holly a irmã de Hannah que vira escritora usa a historia de Hannah e seu marido como inspiração.









sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O soldado saúda o artista! (por: An Persa)


O Pai da "Nouvelle Vague", a revolucionária onda que há meio século mudou o cinema por uma proposta crítica e comprometida, o cineasta Jean-Luc Godard completa hoje 80 anos, ligado a uma visão particular do cinema e da vida.

Para quem conhecia o cinema engajado e humanista de Mario Monicelli, parecia impossível que um dia o diretor de Os Eternos Desconhecidos, Os Companheiros e O Incrível Exército de Brancaleone fosse se matar. Da mesma forma, Jean-Luc Godard, ao surgir, virou a própria personificação da nouvelle vague. A nova onda foi uma reação aos velhos que dominavam o cinema.
Quem poderia imaginar o jovem Godard chegando à ‘melhor’ idade? Pois as duas coisas ocorreram, e na mesma semana. A semana comercial começou na segunda com Monicelli jogando-se do quinto andar do hospital em que estava internado. Chega a sexta-feira, com o aniversário de Godard, que hoje completa 80 anos.

Feliz aniversário, M. Godard! Para assinalar a data, a distribuidora Imovision coloca nas telas o novo Godard, que integrou a programação do Festival de Cannes, em maio e do Festival do Rio em outubro. Film Socialisme não é apenas o melhor Godard dos últimos tempos - a verdadeira surpresa é constatar que Godard, aos 80 anos, e Manoel de Oliveira, aos 102, que completa este mês, são os que continuam inventando o cinema de busca, o cinema autoral.

Citar (relacionando) os dois autores faz sentido porque Film Socialisme se passa durante um cruzeiro marítimo que também é uma viagem por centros formadores da cultura e do cinema universais. Não há como não se lembrar de outro cruzeiro, o que Oliveira empreendeu em Um Filme Falado. Ambos, por sinal, Godard e Oliveira, com todas as diferenças que os caracterizam, acreditam no verbo.

Godard prescinde de história, de personagens. É até meio difícil dizer do que, afinal, trata Film Socialisme. Digamos que, como todo Godard, é, acima de tudo, uma reflexão sobre o cinema.

Mas não só sobre o cinema. Godard articula três movimentos para discutir a Europa do século 21. Em Coisas Como, durante uma viagem pelo Mediterrâneo, passageiros e tripulantes conversam em suas línguas (Oliveira já havia feito isso antes). Em Nossa Liberdade, um casal de irmãos exorta os pais para que lhes expliquem o significado de palavras (temas) como liberdade, igualdade e fraternidade. Em Nossas Humanidades, o autor revisita seis lugares fundadores de mitos, falsos ou verdadeiros - Egito, Grécia, Palestina, Barcelona, Nápoles e Odessa. Como o fio condutor é tênue, cabe aos espectador articular esses movimentos, retirando deles seus significados profundos. Duas constatações se impõem, talvez três.

Virulento. O filme é fluido, não evolui por rupturas. Um Godard mais sereno, sem deixar de ser virulento, como de hábito. Termina muito bem, e essa talvez seja a constatação mais impressionante. Godard projeta o espectador - cinéfilo - numa espécie de euforia, nos 15 ou 20 minutos finais. E ele continua singularmente crítico. Quer saber o que é o capitalismo, segundo Godard? Ele diz, no seu filme socialista, mesmo que indiretamente - "O dinheiro foi inventado para que os homens não precisem se olhar nos olhos." Hollywood? "É irônico que o lugar fundado por judeus seja chamado de Meca do cinema."

Poucos meses depois que seu último filme, "Film Socialisme", chegou às telas de alguns países, o cineasta franco-suíço não se esquivou das polêmicas. Para comemorar a data, o filme estreia hoje (3 de dezembro) no Brasil.

Acusado de "antissemita" nos Estados Unidos, Godard se negou no mês passado a receber o Oscar oferecido por Hollywood pelo conjunto de sua carreira, "magoado" porque a imprensa americana reprovou sua postura "muito pró-palestina".
Chamado de pai da "Nouvelle Vague", o autor de "Acossado", considerado o filme fundador dessa corrente trangressora, abriu as portas para uma nova maneira de fazer cinema.

Um pouco da biografia ilumina o gênio.


Filho de uma família franco-suíça, perfeitamente burguesa - pai, médico, mãe pertencente a uma linhagem de banqueiros (como Walter Salles e João Moreira Salles no Brasil). Godard nasceu em Paris durante a 2ª Guerra Mundial. O jovem Godard roubava do avô materno para pagar seus pequenos vícios juvenis, informa Antoine De Baecque em sua biografia, não autorizada mas não interditada, que saiu este ano.
Foi educado na França, e embora reverenciasse a alta cultura, não era exatamente estudioso - abandonou os estudos de etnologia na Sorbonne, mas sem dúvida o curso teve alguma relevância na obra. sucesso que "Acossado" teve entre o público e a crítica em 1959, sua narrativa diferente, com constantes mudanças de direção, foram o tiro de saída para uma geração que estava ansiosa para revolucionar os modelos da época.

"O que eu queria era partir de uma história convencional e refazer, de forma diferente, todo o cinema que já havia sido feito"

François Truffaut, Éric Rohmer e Claude Chabrol moldaram a corrente para transformá-la em um fenômeno que ultrapassou fronteiras e se instalou de forma duradoura e que segue inspirando cineastas tão diferentes, como David Lynch, Pedro Almodóvar, Quentin Tarantino, Gus van Sant e Mathieu Amalric.
Jean-Michel Frodon, autor de História do Cinema francês, da Nouvelle Vague aos Nossos Dias, afirmou que nos anos 50 reinava "um extraordinário amor pelos filmes e um espírito de rebelião contra a impressão de conformismo do cinema francês".



Ainda no início da década de 1960, avaliando o fato de os jovens da nouvelle vague fazerem filmes centrados no próprio umbigo, Godard disse -

"A honestidade da nova onda consiste em só falar do que sabe, para não falar mal do que não sabe, o que poderia comprometer o que sabemos."

E em uma entrevista para Cahiers du Cinéma, ele fez sua autocrítica -"Um filme sobre operários? Adoraria fazer, mas não domino o assunto."

Muitos diretores, os chamados autores, dizem que filmam para descobrir o que não sabem. Francis Ford Coppola, na quarta-feira, em São Paulo, disse que o roteiro é sempre uma pergunta que ele tenta responder fazendo o filme. Godard não tem outras curiosidades.

Godard nunca se esquivou do papel de líder, de cabeça visível dos jovens que queriam mudar o estilo da época. No turbulento mês de maio de 1968, enquanto os estudantes marchavam nas ruas de Paris, Godard liderou o movimento que levou o protesto contra o sistema ao Festival de Cannes.
Com este festival, o diretor viveu uma história de amor e ódio. Apesar de suas seis indicações, nunca ganhou uma Palma de Ouro. Este ano, depois de anunciado seu retorno ao La Croisette para apresentar "Film Socialisme", o diretor cancelou sua participação no último minuto, vítima de um misterioso "mal grego".

"Com o Festival irei até a morte, mas não darei um passo mais" disse o cineasta em uma carta, alimentando os rumores sobre seu estado de saúde. No entanto, para alguns, não foi mais que um desprezo ao tapete vermelho, ao "glamour" que Godard sempre combateu em sua vida e em seus filmes.


Godard foi um diretor comprometido com uma certa ideia política, uma esquerda tão particular como sua obra. "A Chinesa" e "Week-end à Francesa" são exemplos de sua particular visão da luta do proletariado.
Nos anos 1970 viajou pelo mundo, seguiu brigando com o sistema, rodou filmes que se negou a estrear, como "One American Movie" e "British Sonunds", e começou a experimentar o vídeo.

Voltou-se para um cinema mais comercial nos anos 1980, onde se reencontrou com atores de renome, mas sem nunca renunciar à polêmica. E, depois de um período, retornou ao cinema experimental no final do século passado, com obras como "Elogio do Amor".

Quentin Tarantino homenageou o diretor batizando sua produtora de "Bande à Part". Tão alheio à polêmica que provoca como ao entusiasmo que gera, Godard segue na crista da "Nova Onda" que ajudou a criar.

Jean-Luc Godard, adquiriu a nacionalidade suíça aos 21 anos, afirma que decidiu instalar-se na cidade de Rolle há 30 anos com sua companheira Anne-Marie Miéville, porque é um lugar "qualquer".
De acordo com Frodon, "as pessoas de lá o deixam tranquilo".
- Ele tem seus hábitos, passeia com o cachorro, vai ao café na rua principal, compra seu jornal, seus cigarros. É alguém muito simples.

Godard finge se esconder, mas na realidade nunca parou de trabalhar e sua obra reaparece com frequência no primeiro plano do cinema mundial.

São 80 anos de vida e mais de 50 como diretor. Anarquista de direita, virou radical de esquerda. Revolucionou o cinema. Até Hollywood reconhece. Ele está sendo homenageado com um Oscar de carreira. Como iria recebê-lo numa cerimônia fechada, não na grande festa de março, não compareceu. Está certo. Não teria a mesma graça.

Além do mais, Godard é um nome grande, tem um rosto impactante como um logotipo, como o de Che Guevara. Se Che tivesse sobrevivido ele seria tão herói? Acho que não. Se Acossado tivesse ganho o Oscar, Godard seria tão transgressor? Acho que não.

Como em "Tempos de Guerra" eu diria que essa foi a saudação do soldado para o artista.



segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Cannes trailer: 'Film Socialism' (por: An Persa)


Film Socialism, é o novo filme do diretor francês Jean-Luc Godard, estreia nos cinemas brasileiros no dia 3 de dezembro, dia do aniversário de 80 anos do diretor. Estrelado por Patti Smith, Élisabeth Vitali e Christian Sinniger, Film Socialism foi um dos destaques da mostra Un Certain Regard, a segunda mais importante do Festival de Cannes.

Na ocasião, Godard disponibilizou seu filme para ser assistido na internet entre os dias 17 e 19 de maio, justamente entre a exibição em Cannes e a data de estréia nos cinemas franceses. Foi possível assistir ao filme no site http://www.filmotv.fr/, sem a possibilidade de efetuar o download, e pelo custo de 7 euros aos interessados.

Godard queria que seu filme fosse disponibilizado somente na Internet, mas os produtores exigiram o lançamento também nas salas de cinema. Irreverente, como é do seu feitio, ele mesmo preparou uma versão condensada para o Youtube.



Ai estão algumas cenas do novo filme de Godard. O que posso dizer? Bem godariano! (rs)

Mas ficou clara a citação aos diretores Chapiln e Eisenstein, este último é "a face" do assunto do filme, além das citações aos trabalhos anteriores da carreira de Godard.

Me arrisco a nomear Nossa música e Paixão, como filmes citados, não pela temática, já que o Nossa música é o que mais se aproxima de Socialism, mas sim pela estética de certas cenas onde as cores são distorcidas ao ponto das cenas parecerem uma pintura impressionista, e pelo fato dos filmes (exceto Paixão) serem divididos em 3 partes.

É possível perceber que dos anos 80 pra cá, entre algumas obras primas, o Godard produziu ainda filmes que revisitaram suas produções dos anos 60 e 70, ambientadas é claro para a época vivida.
Isso é fato, e acho que já pelo título desse novo filme, podemos entender à que época de sua carreira Godard se refere.

O Trailer do filme é outro ponto interessante do próprio filme, infelizmente não estou conseguindo postar então mando o link http://www.youtube.com/watch?v=nKeGpvrjEcQ
onde podemos ver mais uma vez, o diretor transgredir o cinema pelo próprio mecanismo do cinema!!

Bom, já estou contando os dias pra ver a estréia de Film Socialism, e seria bem legal que isso fosse na maratona do Odeon, já que a próxima edição da maratona acontecerá justamente no dia 3 de dezembro, dia da estréia do filme, e considerando que a programação da maratona sempre conta com uma estréia, um filme surpresa e mais um filme, acredito mesmo que Film Socialism tenha sua estréia na próxima Maratona do Cine Odeon.
Ps:. Na época eu soube que o filme foi uma das atrações do festival do Rio desse ano. Mas na mostra Godard80 da Caixa cultural do RJ em janeiro deste ano, já estava claro que a estréia brasileira de Socialism, seria no dia do aniversário de 80 anos do mestre, e eu preferi comemorar a data assistindo ao filme

Ps2:. Ainda tenho esperança que o CCBB faça com Godard o mesmo que fez com o Woody Allen em novembro de 2009!!!!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O meu não-objeto do cinema (por An Persa)


O conceito do não-objeto, ao contrário do que o nome sugere, não está se referindo a um antiobjeto ou qualquer coisa oposta aos objetos materiais. O não-objeto é de fato um objeto especial, que representa a síntese de experiencias sensoriais e mentais, e através do qual é possível vivenciar tais experiencias.
Nas artes plásticas o não-objeto, resumidamente, é a obra que problematiza as categorias artísticas tradicionais, desse modo, um não-objeto não pode ser classificado como pintura ou escultura, nem como um meio termo entre os dois.
Um exemplo de não objeto são os bichos da Lygia Clark, que não possuem avesso, precisam da participação do público e não se encaixam na definição de pintura ou escultura.

Bom, com na definição de não objeto em mente eu pensei em Zelig, um filme do Woody Allen que, ao meu ver, problematiza as categorias tradicionais do cinema, ou algumas delas, o que é um filme?? o que é um documentário?? o que é Zelig??

Os “caras de cinema” dizem que Zelig é um mocumentario, ou filme moc (documentário de mentira), eu digo que é somente um não objeto, isso porque vai além do moc “Um assaltante bem trapalhão”(Woody Allen). Zelig é um filme moc, mas que nos apresenta “resquícios” de realidade, WA usa imagens de arquivo pra nos convencer de alguma maneira que Zelig existiu.

Pensando em 3D, visualizo Zelig de volta as salas de cinema, agora em 3D, seria tanger o limite do não objeto cinematográfico com o ideal godariano de cinema, o cinema zero! (mas essa já é outra história)
Ps:. a trilha de Zelig também é um caso a parte!






Lembro de ter assistido a esse filme nos anos noventa, eu devia ter uns 9 anos, devia ser final de semana, porque eu estava dormindo no sofá da sala, tinha ficado vendo TV com meu pai até tarde, acordei no meio da noite com os risos dele, que estava assistindo a Zelig, eu comecei a ver meio sonolenta e entrei na onda do filme, eu realmente acreditei que o cara existia!
Lembro que perguntei ao meu pai, se poderia existir uma pessoa assim, que muda fisicamente, conforme o ambiente em que se encontra, como um camaleão.
Meu pai, claro, sabia que isso não era possível, mas ele mesmo teve dificuldade de me explicar o filme, lembro dele ter me explicado dizendo “isso é um documentário de mentira” mas lembro de ter pensado, "mas as imagens em preto e branco, as imagens antigas??"
É claro que eu era só uma criança, e acreditava em papai noel, mas até hoje penso nesse filme como um dos melhores já feitos! E sei que muito do que Zelig transmite, está além da história inusitada e da interpretação hilária do WA, e da sensível Mia Farrow... o filme transgride não só porque conta uma história usando os recursos usados pelos documentários, mas também porque usa as “sedutoras” imagens de arquivo.
Hoje, no Rio de Janeiro, acontece todo ano o RECINE, promovido pelo Arquivo Nacional, além de mostrar filmes, oferece cursos de cinema incentivando a utilização de documentos de arquivos. Nos filmes esses documentos ganham vida, ou nova vida.

Não poderia terminar sem mencionar o nome Arthur Omar, e o curta “O Inspetor”que pra mim é mais um exemplo de não objeto cinematográfico nos moldes de Zelig, com a diferença que este é de fato um documentário, mas que aos 23 anos tive a oportunidade de “pagar o mico” e perguntar ao próprio Omar (em oportunidade no Cine Odeon) se o que eu havia acabado de assistir era um moc. Eu só acredito porque Omar me falou. Sim o inspetor existiu!
PS:. Tentei encontrar alvideo relacionado ao curta, mas como eu disse, foi oportunidade única mesmo, já que segundo o próprio Arthur, nem ele pode ter acesso aos próprios filmes que estão sob custódio da cinemateca do MAM do RJ.

Citações (por An Persa)


"A grandeza consiste em tentar ser grande. Não há outro meio" disse uma vez Camus.

Ao ler isso imediatamente me lembrei de um dos diálogos de Acossado, quando a personagem Patricia, pergunta ao romancista que está entrevistando: "qual seu maior objetivo na vida?"
e instantaneamente ele responde: "tornar-me imortal e então morrer".

Só de ler a frase de Camus seguida da frase de Godard, sinto que as idéias das duas estão em uma “harmonia orgânica” entre si.
Fazendo isso, lendo uma frase seguida da outra, fui impulsionada a procurar página a página do livro “Albert Camus: notas e estudo crítico” de Roberto Leite até encontrar a seguinte citação:

"Antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado"

Acho que agora sim, pude explicar a relação orgânica e harmônica entre as idéias!
Falamos então na tentativa de ser grande, no objetivo maior, que demanda uma vida toda, o objetivo de ser imortal. Resumidamente falo nessa liquidez do grande significado da vida, que eu inconscientemente - porém não sei se devidamente - entendo também como objetivos grandes.

No fim das contas, o que estou tentando dizer é que ao ler as duas primeiras citações eu pensei:
que a felicidade ou a grandeza é algo injusto, que só podemos tentar obter, e que estamos fadados a morte, morreremos tentando e mesmo se for possível conseguir, atingir, o que vem depois?
O fim absoluto.

A última citação me lembra então, que o processo é que valida tudo, é o que chamamos, por hora, de vida. Talvez esse processo seja então o grande significado e objetivo.
Lendo a palavra processo, Lembro de "O Processo" do Kafka, sei que tenho esse em algum lugar no meio dessa bagunça total. Primeiro passo: procurar...

Até lá passo o trailer de À bout de souffle (Acossado) achei legal, porque ler Camus me deixa um tanto apática e o trailer dá essa sensação, além de ser um referente ao "não objeto" do cinema, se esse conceito existisse também no cinema seria aplicado ao Acossado, embora agora eu tenha me lembrado de Zelig do Woody Allen, acho que esse sim é de fato um não objeto do cinema.
Massss lá vai!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

"Se beber Não Case " ( por Aline)...

...que bebeu tanto que esqueceu o que ia escrever, mas lembrou que ia colocar o trailer da melhor comédia de 2009.