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terça-feira, 16 de abril de 2013

De Hoje em Diante (por Aline)

Há algumas semanas atrás, passei por uma situação constrangedora , embaraçosa e humilhante. Tentei escrever, organizar os pensamentos, rever todo o acontecido de forma realística, mas nao consegui. Realizei raciocínios e tirei conclusões, porém não consegui construir a minha vida ainda.
Até que no domingo, 14 de abril, lendo a coluna de Martha Medeiros na Revista O Globo, de título " Quando eu estiver louco, se afaste" , tive uma iluminação que resume todo o momento que passei, passo e que infelizmente passarei ainda por mais um tempo. Eis o trecho:

"Hoje em dia, se alguém chegar perto de mim avisando " sou uma pessoa difícil", desejo sorte e desapareço em três segundos. Já gastei minha cota de paciência com esses difíceis que utilizam seu temperamento infantil e autocentrado como álibi para passar por cima dos sentimentos dos outros feito um trator, sem ligar a mínima se estão magoando - e claro que esses "outros" são seus afetos mais íntimos, pois com amigos e conhecidos eles são uns doces, a tal"dificuldade" que lhes caracterizasome como num passe de máagica. Onde foi parar o ogro que estava aqui?
Chega-se numa etapa da vida em que ser misericordioso cansa. Se a pessoa é difícil, é porque está se levando a sério demais. Será que já não tem idade para controlar seu egocentrismo? Se não controla, é porque não está muito interessada em investir em suas relações. Já que ficam loucos a torto e a direita, só nos resta nos afastar, mesmo. E investirem pessoas alegres, aducadas, divertidas e que não desperdiçam nosso tempo com draminhas repetitivos, dos quais já se conhece o final: sempre sobra para nós. os fáceis."

E depois, ainda se queixam não ter sorte!!!!



segunda-feira, 15 de abril de 2013

Caçada de Ana Martins Marques ( por Aline)



Fotografia de Amanda Gomes


E o que é o amor
Senão a pressa
Da presa
 
Em prender-se?
 
A pressa
Da presa
Em
Perder-se.
 
RETÓRICA: SERÁ?

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Sincronicidade ou a falta dela ( por Aline)

Às  sete horas queria, às onze não mais.
Tudo pareceu tão escolha do destino!
Se  não tivesse chovido, talvez chegaria mais cedo, talvez fizesse diferença. Será?
Ela chegou a dizer que não ia, em menos de um minuto resolveu ir.
Se tivesse falado com ele assim que o viu...
Se não tivesse lido o recado não teria se machucado. Pelo menos não tanto.
Se não tivesse ido, não tinha visto...
Teria ligado, e passado o final de semana juntos. ( ou nao, era admiradora da covardia)
Talvez houvesse diálogo, um término limpo, sem mágoas e ressentimentos.
Mas tudo indo, ou vindo, aconteceu somente porque ela, inocente, teve fé, consideração e respeito. Esperando o tempo todo que a história se gastasse, vendo até onde iria. Nunca imaginou que ele se nivelaria por baixo, e que a recíproca nunca foi verdadeira.


"Um homem pode aspirar à liberdade de viver sem pressões exteriores, mas ele nunca chegará a ter 'livre-arbítrio'. Nós não determinamos tudo que acontece com o nosso próprio corpo, pois nosso corpo é um modus do atributo extensão. Tampouco 'escolhemos' nossos pensamentos. Assim, o homem não possui uma mente livre, aprisionada num corpo mecânico."

Extraído do livro "O mundo de Sofia" de Jostein Gaardner

"Às vezes, nós estamos numa rota de colisão e nem sequer sabemos. Seja sem querer, ou de propósito,não há nada que possamos fazer."

Fala de "O Curioso caso de Benjamin Button"

segunda-feira, 25 de março de 2013

A Lista do Desperdício (por Aline)

Quantas horas passamos pensando em alguém que julgamos ser especial. No que a pessoa está fazendo, se também pensa em você  se te ama, nos momentos passados juntos, nos braços, no peito,  nos dedos, na boca, possibilidades mil. Quando gostamos horas bem empregadas, quando se acaba quanto tempo jogado fora.
Quanto beijos! Melados, doces, salgados, babados, vermelhos, de virar os olhos, de tremer as pernas, de arrepiar, de perder o juízo. No fim? Quanta saliva necessariamente trocada.
Quantos abraços! Sinceros, apertados, arrochados, belos, na praia, na fazenda, numa casinha de sapê. Todos verdadeiros e cheios do mais puro sentimento. Ao fim,  Considerados vazios e até o mais franco vira coisa do calor do momento.
Quanto sexo! Orgasmos, carinhos, mordidas, tapinhas, gemidos, suor, corpos entrelaçados, ligações, prazer. Ao término reles troca de fluido sem qualquer porquê.
Parece que a gente vive pra perder. E que no fim tudo se resume a imensa falta.

"O Carlos foi meu balão. E eu o soltei. Ninguém me fez a aliança de barbante no dedo. Quem seria capaz de entender o nosso amor? Quem? Quando abri mão, o balão se foi. E eu a olhar para cima, a vê lo subir céu afora. Até desaparecer. Fiquei com a lembrança dele. Nítida, perfumada, cheia de sons e sabor. O tato às vezes me vem em sonho. Não é pouco. Sou grata à vida."

Trecho do livro " O arroz de Palma" de Francisco de Azevedo.


Fotografia de Romulo Sousa 


terça-feira, 12 de março de 2013

O Dia (por Aline)

É sábado. Ela acorda. Toma seu café. Escova os dentes, se veste. Faz meia dúzia de coisas que considera importante. Vai sair à noite, já sabia disso à uma semana.
Almoça. Vê tv. O tempo não passa. Começa a acreditar que esteja vivendo o sábado mais longo de sua vida. Conversa com uma amiga por telefone. Roupas, maquiagem, a noite, homens, um homem, e talvez, a possibilidade de vê-lo.
Horas antes da festa. Chuva. Medo. Probabilidade de que tudo falhe. Conversas nervosas. Noite incerta. Chuva passa. Noite firme. Noite fresca. Noite de promessas.
Preparativos. Banho demorado. Esfoliante. Sabonete. Óleos (merda! Não é uma boa ideia . Perfume favorito (que nunca usa, não tem o costume). Vestido. Sapato novo. Anel, Cordão. Brinco. Tornozeleira. Batom. Rímel. Olhos marcados. Pele Sublime. Bolsa.
Sai. Ainda garoa. Chega na festa. Música. Dança. Olhos atentos. Olhos à procura  Olhos ansiosos. 4:30 am. Vira abóbora. Vai embora. Dá uma volta, ainda há esperança.
Passou uma semana pensando no encontro. Na roupa que usaria, no que diria, nos olhares, onde dormiriam... Ela fez tudo que havia planejado, e não é difícil de adivinhar que ele não apareceu.

*Inspirado no filme Amores Imaginários.

terça-feira, 5 de março de 2013

Quem sabe dos mortos de Lorca? (por: An Persa)

O outono virá com seus buzios
uva de névoas e montes agrupados,
mas ninguém quererá fitar teus olhos
porque tu estás morto para sempre.

Porque tu estás morto para sempre,
como todos os mortos que há na Terra,
como todos os mortos que se esquecem
num monturo de cães que se apagaram.



Alma Ausente _ Frederico García Lorca

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sintomas ( por Aline)

Borboletas no estômago
Ansiedade aguda
Sorrisos sem explicação
Pensamentos distantes
Falta de concentração
Súbito entendimento de canções de amor
Melancolia
Tesão
Atenção dobrada em prováveis mensagens, recebidas ou não
Reler mensagens antigas
Suspiros
Sensações a flor da pele
Aflorado romantismo
Passividade
A necessidade de perdoar o imperdoável, mesmo antes que este tenha sido feito
Necessidade de abraços apertados, beijos molhados e corpos suados
Dor
Insatisfação crônica
Angústia constante
Saudade


Não sei...


Pelo o que andei pesquisando nos livros da vida, a doença se chama AMOR.